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O meu breve cantinho

O meu breve cantinho

Sou licenciada ... e agora?!

Estava eu na minha Queima das Fitas, em pleno ano de 2013. Lembro-me daquele dia quente, em que estava eu toda trajada, a exibir, felicíssima, a minha cartola, a bengala e a pasta repleta de fitas com saudações e felicitações, em que cada uma transbordava o seu peso de orgulho em cada palavra que por ali andava estampada.

Vi no rosto dos meus pais o tanto ou maior orgulho que tinham em mim, como aquele que eu tinha, em ter chegado ao fim daquela etapa. 

No meio das emoções, da agitação e da alegria tive aquele momento de reflexão sobre o "amanhã", só pensava no sucesso que teria, na carreira que iria construir dali em diante, de quão importante eu seria para a sociedade, não estaria eu a terminar o curso de Serviço Social.

Ao longo daquele caminho, de três anos, pensei em todas as respostas e quão eu podia ser precisa para facilitar a sociedade de muitos dos seus encargos.

Abracei o meu curso com o maior amor que poderia ter, foquei-me em ser a melhor para mim e para os outros. Formei-me com o melhor que retirei de todos aqueles ensinamento diários, passei dias e noites sem sentir o conforto da minha cama para que aquele exame não me deixasse para trás.

Chorei todas as vezes que me despedi-a da minha família, ri em cada chegada a casa (ainda que poucas), gargalhei com todos os amigos que por mim se cruzaram, larguei a mão de muitos pensamentos de desistência e vivi ao máximo tudo aquilo que poderia ter desfrutado. 

Naquele dia, naquele regresso a casa. Sim, aquele que foi de vez! Percorri aqueles 360 km com um único objectivo em mente, na próxima semana eu vou começar a fazer aquilo que eu tanto gosto. Farei de mim uma excelente profissional e serei eu a crescer dia após dia. 

Hoje, dois anos depois, mais de 1000 currículos entregues, apenas uma entrevista conseguida e nem uma oportunidade encontrada.

Sinto a desilusão e a repulsa, sinto o medo e a tristeza, sinto o arrependimento de todo aquele esforço, de todos aqueles sonhos por realizar, de todos aqueles esforços, que hoje os vejo como se tivessem sido em vão.

A desilusão por vezes torna-se sufocante, o querer fazer e não poder, o querer estar e não nos deixar.

Sou licenciada, mas não sei para onde ir.

 

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